A Santa Casa de Campo Grande acumula uma dívida de R$ 810 milhões e ainda não chegou a um acordo financeiro com o poder público para a formalização de um novo contrato de prestação de serviços. A situação foi detalhada pela gestão provisória do hospital durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (15).
A negociação envolve a adequação dos serviços oferecidos pela instituição e dos valores previstos no contrato. Embora tenha havido avanço na discussão operacional e na elaboração do documento, a parte financeira continua sem consenso, e o novo contrato ainda não foi assinado.
A proposta em discussão prevê um repasse mensal de R$ 37,4 milhões, acima dos cerca de R$ 32,8 milhões previstos no contrato atual. Os valores, porém, ainda estão em negociação.
“A proposta do Estado e do município é que a Santa Casa se adeque ao que eles precisam, e é o que nós vamos fazer”, afirmou o gestor provisório, Luiz Alberto Kanamura.
Contas pressionadas e passivo elevado
Além da dívida total, o hospital tem aproximadamente R$ 180 milhões em passivo circulante, que reúne obrigações financeiras de curto prazo. Parte das dívidas já foi renegociada ou financiada, inclusive por meio da Caixa Econômica Federal, com pagamentos vinculados a descontos na fonte.
A instituição também enfrenta um desequilíbrio entre despesas e receitas. Conforme os dados apresentados pela administração do hospital, os gastos mensais ficam em torno de R$ 54 milhões, enquanto as receitas chegam a aproximadamente R$ 35 milhões, incluindo fontes privadas.
A diferença pressiona o caixa e dificulta a manutenção dos serviços sem uma revisão do financiamento e da estrutura de atendimento.
Médicos e fornecedores têm pagamentos atrasados
Outro ponto de preocupação é o atraso nos pagamentos de médicos contratados e fornecedores, que chega a quatro ou cinco meses. Segundo a gestão, algumas equipes médicas sinalizaram a possibilidade de cancelar contratos ou deixar de prestar serviços caso a situação não seja resolvida.
Os atrasos atingem profissionais contratados como pessoas jurídicas para especialidades e atendimentos específicos. A gestão informou que a folha dos funcionários contratados pelo regime CLT está em dia.
A eventual saída de equipes pode comprometer a oferta de determinadas especialidades e aumentar a pressão sobre uma instituição que já enfrenta dificuldades para manter os serviços.
Auditorias e revisão dos serviços
A gestão provisória informou que há duas frentes de auditoria: uma voltada aos processos internos e outra à situação financeira. A instituição também trabalha na revisão dos serviços oferecidos, que deverá orientar as negociações com Estado e município.
A discussão foi retomada em reunião convocada pela Justiça na quarta-feira (14). A liminar que determinou mudanças na administração da Santa Casa continua em vigor.
Ainda não há prazo definido para a conclusão das negociações nem para a normalização da situação financeira. A gestão afirma que o planejamento dos serviços deverá levar em conta as necessidades da rede pública e os recursos disponíveis.













