Um avanço em medicina de alta complexidade foi registrado no último sábado (18), na capital sul-mato-grossense. Um professor aposentado de 56 anos, que convive com a doença de Parkinson, passou por uma nefrectomia parcial para a retirada de um tumor renal de 6,2 centímetros e recebeu alta em menos de 24 horas após deixar a mesa cirúrgica.
O procedimento, realizado no Hospital Cassems de Campo Grande, marcou a primeira nefrectomia parcial por telecirurgia robótica do país. A operação foi comandada a mais de 2,3 mil quilômetros de distância pelo médico urologista Nilo Jorge Leão, localizado em Salvador (BA), enquanto o suporte presencial no centro cirúrgico ficou sob a liderança do urologista Bruno Almeida.
A comunicação em tempo real entre os consoles e os braços robóticos ocorreu via sinal de internet por satélite da Starlink.
Preservação do órgão e recuperação acelerada
A cirurgia robótica reduz a agressividade do corte em comparação aos procedimentos abertos tradicionais. Em casos de intervenção renal, a tecnologia eleva a preservação das funções do próprio órgão, além de diminuir o risco de sangramentos e complicações no pós-operatório.
De acordo com o médico Bruno Almeida, o impacto na reabilitação aproxima o pós-operatório ao de um procedimento de pequeno porte. A previsão da equipe médica é de que o paciente volte a dirigir em 15 dias e esteja liberado para atividades físicas normais em um mês.
Descentralização de tratamentos complexos
Com mais de 2,1 mil procedimentos robóticos presenciais no currículo, o cirurgião Nilo Jorge Leão apontou que o diferencial da telecirurgia é superar barreiras geográficas no acesso à medicina especializada.
A tecnologia permite que especialistas realizem procedimentos delicados em pacientes localizados em outras regiões, evitando o deslocamento de doentes em estado frágil. A operação resultou de uma parceria entre o hospital local, o Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART), a Hospcom e a desenvolvedora MicroPort.















