Descontos indevidos no INSS: PF prende Carlos Lopes

O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), em Brasília. Ele era considerado foragido desde novembro de 2025 e se apresentou espontaneamente na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal.

Lopes é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo as investigações, a Conafer teria sido uma das principais entidades envolvidas no esquema. A suspeita é de que beneficiários tenham sido incluídos em associações sem autorização e passado a sofrer cobranças mensais diretamente nos benefícios.

Investigação aponta bilhões em descontos

A apuração teve início em 2023, a partir de trabalhos da Controladoria-Geral da União (CGU). No ano seguinte, diante dos indícios de possíveis crimes, a Polícia Federal passou a investigar o caso.

Os investigadores estimam que os descontos considerados irregulares possam alcançar R$ 6,3 bilhões, envolvendo aposentados e pensionistas em diferentes partes do país.

Em julho, a PF concluiu uma das investigações relacionadas ao caso e indiciou 48 pessoas. Entre os investigados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Carlos Lopes também foi formalmente indiciado. Segundo a PF, ele teria papel de liderança na estrutura investigada e seria responsável por decisões relacionadas à movimentação e distribuição de recursos do esquema.

Presidente estava foragido desde 2025

Lopes foi alvo de uma ordem de prisão em novembro do ano passado, mas não foi localizado pelas autoridades. Desde então, passou a ser considerado foragido.

Na época, a Conafer negou que o presidente tivesse fugido e afirmou que ele estava em viagem em uma região de difícil acesso e com limitações de comunicação.

Agora, após se apresentar à Polícia Federal, Lopes foi formalmente preso e deverá ser encaminhado ao sistema prisional após os procedimentos de praxe.

No relatório de indiciamento, a PF apontou suspeitas dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, entre outros delitos relacionados à investigação.

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