O dólar voltou a subir na quarta-feira (6), mesmo em um cenário externo mais favorável, enquanto a bolsa brasileira avançou pelo segundo dia consecutivo. O movimento do câmbio foi influenciado principalmente por fatores internos, em especial uma intervenção do Banco Central.
A moeda norte-americana fechou o dia vendida a R$ 4,92, com leve alta de 0,17%. Durante a manhã, chegou a encostar em R$ 4,93, mas perdeu força ao longo da tarde, acompanhando a melhora do ambiente internacional e o maior apetite por risco.
Apesar desse cenário global mais positivo, o Banco Central entrou em cena e ajudou a sustentar a alta do dólar. A autoridade monetária vendeu US$ 500 milhões em contratos de swap cambial reverso, operação que, na prática, equivale à compra de dólares no mercado futuro e tende a pressionar a cotação para cima.
Segundo analistas, o BC aproveitou o patamar mais baixo da moeda para ajustar sua posição no mercado cambial, reduzindo o volume de operações anteriores.
Petróleo muda o jogo
Outro fator importante no dia foi a forte queda do petróleo, que influenciou diretamente o comportamento do real. Nos últimos dias, a moeda brasileira vinha se beneficiando da alta da commodity, relevante para as exportações do país.
Desta vez, o movimento foi o oposto. Os preços internacionais do petróleo despencaram cerca de 7%, após sinais de redução das tensões no Oriente Médio.
O barril do tipo Brent caiu 7,83%, para US$ 101,27, enquanto o WTI recuou 7,03%, a US$ 95,08. A queda veio após o Irã indicar que o Estreito de Ormuz está aberto à navegação segura, além de menções dos Estados Unidos sobre avanços nas negociações com o país.
Com menor risco de interrupção no fornecimento global, o chamado “prêmio de risco” do petróleo diminuiu, o que pressionou os preços para baixo.
Bolsa acompanha exterior
Na contramão do câmbio, a bolsa brasileira teve um dia positivo. O Ibovespa subiu 0,50% e fechou aos 187.690 pontos, acompanhando o desempenho das bolsas internacionais.
O avanço foi puxado principalmente por ações de mineradoras e empresas de consumo. Já o setor de petróleo seguiu a tendência da commodity e caiu.
As ações da Petrobras tiveram queda: os papéis ordinários recuaram 3,77% e os preferenciais, 2,86%.
No exterior, o clima também foi favorável. As bolsas de Nova York subiram mais de 1%, com novos recordes nos principais índices, reforçando o movimento global de busca por ativos de maior risco.
Mesmo com a alta do dia, o dólar ainda acumula queda de 0,63% na semana e recuo de mais de 10% no ano.













