O ritmo de crescimento do crédito para pessoas físicas em Mato Grosso do Sul perdeu força nos primeiros meses de 2026, segundo dados do Termômetro do Varejo, levantamento divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL/MS), nesta quarta-feira (20). O cenário ocorre em meio ao aumento da inadimplência e à aceleração pontual da inflação, fatores que podem afetar o consumo das famílias no Estado.
Em março, o saldo de crédito destinado às pessoas físicas chegou a R$ 102,8 bilhões, crescimento de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço ficou abaixo da média nacional, de 10,9%, indicando desaceleração após um período de expansão mais intensa.
A taxa de inadimplência, considerada a partir de atrasos superiores a 90 dias, foi estimada em 6,8% entre consumidores sul-mato-grossenses, índice acima da média do país.
Para a presidente da FCDL/MS, Inês Santiago, o cenário exige atenção diante dos efeitos combinados do endividamento e da inflação.
“Observamos uma clara desaceleração no crédito para as famílias, que já estão sentindo o peso do endividamento, somada a uma leve aceleração da inflação impulsionada pelo cenário externo”, afirmou.
Enquanto o crédito para famílias perdeu velocidade, o financiamento voltado a empresas seguiu em alta. O saldo destinado às pessoas jurídicas alcançou R$ 41,2 bilhões, com crescimento de 16,2% em comparação ao ano anterior. Segundo a FCDL/MS, os recursos têm sustentado investimentos e expansão de negócios no estado.
Ainda de acordo com Inês Santiago, o desempenho do crédito empresarial mostra outro movimento da economia local.
“O avanço robusto no crédito corporativo demonstra que o empresário sul-mato-grossense é resiliente e continua buscando recursos para estruturar seus negócios visando o médio e longo prazo”, disse.
Apesar do cenário mais cauteloso para o consumo, os dados do varejo apresentaram desempenho acima do restante do país. No primeiro trimestre de 2026, o varejo ampliado — que inclui setores como veículos e materiais de construção — cresceu 6,7% em Mato Grosso do Sul, acima da taxa nacional de 1,9%.
Já o comércio varejista restrito registrou alta de 3,5% no período.
Na área de emprego, Campo Grande fechou o primeiro trimestre com saldo positivo de 2.999 vagas formais. O comércio, porém, registrou saldo negativo de 379 postos de trabalho, movimento atribuído ao encerramento de contratos temporários após o fim do período de festas.
A inflação na capital também apresentou aceleração. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses chegou a 3,1% em abril. O grupo de vestuário liderou as altas, com avanço de 6,7%.
A edição de maio do levantamento também trouxe avaliação sobre o impacto da ampliação do Aeroporto Internacional de Campo Grande na economia local. O diretor do terminal, Usiel Vieira, afirmou que as obras devem ampliar em 75% a capacidade instalada e aumentar a área destinada ao varejo.
Segundo ele, a expectativa é de maior circulação de pessoas e estímulo a negócios ligados ao turismo, serviços e comércio nos próximos anos.














